sábado, 8 de maio de 2010

Eu...



Eu sou uma pergunta (Clarice)

Precisaria eu mesmo fazer uma sátira a meu respeito, com todas as particularidades que atribuo aos outros. Além disso, quem se insurge em geral contra todos os aspectos da vida não deve ser inimigo de ninguém, mas unicamente do vício em toda a sua extensão e totalidade.
Haverá, talvez, quem reconheça melhor em mim o que eu mesma não reconheço?
Porque não fazer de uma mosca um elefante?
Sigo aquele conhecido provérbio que diz: Não tens quem te elogie? elogia-te a ti mesmo. Porem no momento não encontro muitos elogios, mas em busca.
Eu sempre gostei muito de dizer tudo o que me vem à boca, por isso me esfolo com a sociedade.
Que é definir? É encerrar a idéia de uma coisa nos seus justos limites. E que é dividir? É separar uma coisa em suas diversas partes. Ora, nem uma nem outra me convém. Como poderia limitar-me, quando o meu poder se estende a todo o gênero humano? E, como poderia dividir-me, quando tudo concorre, em geral, para sustentar a minha divindade? Além disso, porque haveria de me pintar como sombra e imagem numa definição quando estou diante dos vossos olhos e me vedes em pessoa?
Sou eu mesma, como vedes; sim, sou eu aquela verdadeira dispenseira de bens, a que os italianos chamam Pazzia e os gregos Mória. E que necessidade havia de vo-lo dizer? O MEU ROSTO JÁ NÃO O DIZ BASTANTE? SE HÁ ALGUÉM QUE DESASTRADAMENTE SE TENHA ILUDIDO,
TOMANDO-ME POR MINERVA OU PELA SABEDORIA, BASTARÁ OLHAR-ME DE FRENTE, PARA LOGO ME CONHECER A FUNDO, SEM QUE EU ME SIRVA DAS PALAVRAS QUE SÃO A IMAGEM SINCERA DO PENSAMENTO. Não existe em mim simulação alguma, mostrando-me eu por fora o que sou no coração. Sou sempre igual a mim mesma, de tal forma que, se alguns dos meus sequazes presumem não passar por tais, disfarçando-se sob a máscara e o nome de sábios, não serão eles mais do que macacos vestidos de púrpura, do que burros vestidos com pele de leão.
Para dizer a verdade, não estou nada satisfeita com essa gente ingrata, com esses perversos velhacos, porque, embora pertençam mais do que os outros ao nosso império, não só publicamente se envergonham de usar o meu nome, como muitas vezes chegam a aplicá-lo aos outros como títulos oprobiosos. Portanto, sendo eles loucos e arquiloucos, embora assumam a atitude de sábios, não teremos razão de chamá-los loucamente de sábios?


By Mariane Alexandre

A meu ver, loucura é o mesmo que sabedoria.

Com todo perdão da palavra, eu sou um misterio para mim... "CLARICE LISPECTOR".

E se me achar esquisita, respeite também. até eu fui obrigada a me respeitar. "CLARICE LISPECTOR".

Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou um o quê? Um quase tudo. "CLARICE LISPECTOR"




“Como é bom viver! mas, sem sabedoria, porque este é o veneno da vida”

Um comentário:

Anônimo disse...

Voce e perfeita....só isto

TAPS