segunda-feira, 3 de maio de 2010

Prudência? Medo? Coragem? Culpa?



Duas coisas, sobretudo, impedem que o homem saiba ao
certo o que deve fazer: uma é a vergonha, que cega a inteligência e arrefece a coragem; a outra é o medo, que, indicando o perigo, obriga a preferir a inércia à ação.

Os que preferem a prudência fundada no julgamento das coisas estão muito longe de possuírem a verdadeira prudência.

Que é, afinal, a vida humana? Uma comédia. Cada qual aparece diferente de si mesmo; cada qual representa o seu papel sempre mascarado.

Devo calar-me? E porque devo calar-me, se tudo o que quero dizer é mais verdadeiro do que a própria verdade?

A culpa constrange, inferioriza, deprime, tudo depende de como você se vê menos, perde o poder. Esta ilusão o deixa a mercê dos outros. A dependência escraviza e enfraquece. Parcela que a vida o enriquece de potenciais, Ao confiar nela, você se torna forte e livre.
E a noção da injustiça e o medo vão estabelecendo uma descrença progressiva que como um vírus destruidor vai contaminando as pessoas, inferiorizando as e colocando-as como vitimas indefesas da sociedade.
Julgando defendê-las, você briga com a vida, procura os culpados, deseja vê-los punidos e, dedo em riste, vai tentando descobri-los entre políticos, os artistas, os escritores, os militares.
A culpa tornou-se um elemento fundamental. Somos todos rigorosos quanto a isso. Quem fez deve pagar e prazerosamente, divulgamos casos onde as pessoas que erram, pagaram pelos seus erros.
E o que me dizer da culpa? Quem cultiva a culpa, costuma ser um cobrador inveterado de si mesmo.
A culpa nunca contribuiu para isso, nem a punição jamais conseguiu consertar ninguém.
Será inútil exigir de alguém algo que ainda não pode dar. Quantos aos erros, eles representam degraus necessários a aprendizagem, culpar alguém por isso, é injusto e ineficaz.

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