sexta-feira, 7 de maio de 2010

Todo semelhante ama seu semelhante???



Julgue-me, agora, quem quiser, Não preciso recordar, aqui, os horríveis efeitos do seu ódio, Que graças concedem eles aos que estão para morrer? Transformam um em árvore, outro em pássaro, este em cigarra, aquele em serpente, etc., que são, na verdade, grandes esforços de beneficência! Chega a parecer que a passagem de um ser para o outro é o mesmo que morrer.
Observai, por favor, aquelas fisionomias sombrias, aqueles rostos torturados e sem cor,
mergulhados na contemplação da natureza ou em outras sérias e difíceis ocupações: parecem envelhecidos antes de terminada a juventude, e isso porque um trabalho mental assíduo, penoso, violento, profundo, faz com que aos poucos se esgotem os espíritos e a seiva da vida. Reparai, agora, um pouco, como os meus tolos são gordos, lúcidos e bem nutridos, ao ponto de parecerem verdadeiros porcos acarnânios . Esses felizes mortais não sentiriam nenhum incômodo na velhice, se nenhum contato tivessem com os sábios.
Infelizmente, porém, isso acontece. Que fazer? Vê-se claramente que o homem não nasceu para gozar aqui na terra de uma felicidade perfeita.
Tenho ainda em meu favor o importante testemunho de um famoso provérbio que diz:
Só a loucura tem a virtude de prolongar a juventude, embora fugacíssima, e de retardar bastante a malfadada velhice.

embora eu seja a Loucura e esteja, por conseguinte, habituada a toda espécie de extravagâncias, muitas vezes não consigo conter o riso.


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